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Quarentena exige dose extra de criatividade

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Vai passar. A frase que praticamente se tornou um mantra em tempos de pandemia não pode ser levada ao pé da letra pelos setores atingidos pela quarentena. Esperar é medida obrigatória quando se tem de ficar de portas fechadas, mas vender é fundamental, especialmente para aqueles que não têm e-commerce. Lançar mão de doses extras de criatividade para concretizar vendas é indispensável neste momento quando se busca – ao menos – arcar com os custos fixos, nem que seja parcialmente.

O Dia das Mães, considerado o segundo Natal para o comércio, será com portas fechadas. Afinal, a quarentena decretada pelo Governo do Estado de São Paulo se estende até o dia 10 de maio. E a Administração Municipal não irá contra a medida estadual. A própria Promotoria Pública manifestou que os municípios têm autonomia para proibir o fechamento de mais setores, mas não para flexibilizar.

MANTER VÍNCULO

Lojista não deve se distanciar do consumidor

A Acimg (Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu) isentou os associados dos pagamentos das mensalidades para os meses de abril e maio. Os recursos angariados seriam investidos também nas campanhas promocionais, mas com a suspensão destas ações para as próximas datas comemorativas, em especial, o Dia das Mães, o foco será o Natal. No mais, a instituição também já se ajustou à crise gerada pela pandemia mantendo cinco funcionários em plantão, parte em férias e outros com suspensão temporária de contrato.

O superintendente da Acimg, Adenilson Junior dos Reis, diz que a dica aos comerciantes é não se distanciarem do consumidor. “Vale até mesmo aquele cartaz na porta do estabelecimento com número de telefone para contato. E ser criativo, muito criativo para minimizar as perdas”, analisa. Com isto, ele pontua que vale fotografar produtos e enviar por WhatsApp para os clientes e fazer sacolas.

Mas, apesar destes ajustes no dia a dia de vendas, Adenilson admite que nada se assemelha ao resultado das vendas com as portas abertas, quando há o contato direto do vendedor com o cliente. “Ao menos um pouco do custo fixo é preciso cobrir neste período”, diz lembrando que já são 30 dias com portas fechadas. Ele observa que muitos lojistas buscam também agilizar o ingresso no e-commerce na tentativa de reduzir o prejuízo.

VAI PASSAR, MAS DEMORA

“Vai levar um tempo para respirar”, afirma lojista com experiência de 16 anos no setor

Com experiência de 16 anos no comércio, a proprietária da Lisbella, Cândida Maria Bisco de Alvarenga de Oliveira, avalia que trata-se da pior crise econômica já vivida e acredita que vai demorar a entrar nos eixos. “Vai levar um tempo para respirar. Gostaria de falar que o comércio vai bombar quando abrir, mas não vai ser assim”, diz.

Como todos os comerciantes do setor, Cândida tem reforçado o contato com a clientela para oferecer mercadorias e fazendo sacolas com as peças que se adequam ao perfil das clientes. Entretanto, admite que nem sempre o envio de mercadorias reverte em vendas. Isto porque, a lojista analisa que as pessoas estão desmotivadas a comprar. “As pessoas gostam de comprar quando têm um lugar para passear. E, agora, está tudo fechado, aonde vão? Não tem lugar”, justifica.

Soma-se à falta de motivação, o fato de que muitas clientes também se preocuparem com a questão econômica. Com isto, Cândida adianta que as vendas com sacolas, associadas à divulgação, não serão suficientes nem mesmo para cobrir as despesas fixas da loja: duas funcionárias, aluguel, impostos, água e energia elétrica. “Eu consegui negociar o aluguel, mas ainda assim fico preocupada porque penso nas minhas funcionárias”, pontua.

A lojista revela que sempre fez uma analogia do comércio com o circo e, agora, mais do que nunca, diz que terão que agir como artistas circenses. “Ora no trapézio, ora na corda bamba e ora no picadeiro”, compara sobre a criatividade dos lojistas frente ao setor. Quanto ao Dia das Mães, ela diz que não tem muitas expectativas de que o comércio abra. “Ainda assim, teremos que correr – e muito – para vender”, pontua.

ESTRATÉGIA

Vai e vem de sacolas é saída para contornar crise

Há um mês com portas fechadas, a Bella Poá está salvando as vendas com o vai e vem das sacolas. E o esquema tem sido adotado pela maioria das lojas de roupas que não trabalha com venda online. As sócias proprietárias Amanda Pereira da Silva e Adriane de Fátima Mendes têm se revezado nesta nova tarefa.

Mas antes das peças irem para a sacola, as proprietárias preparam looks, fotografam e postas nas redes sociais. É a forma das clientes visualizarem as peças e fazerem os pedidos. “Não supre os 100% do que teríamos com as vendas de porta aberta, mas ajuda bastante”, comenta Amanda. As sacolas com as encomendas são entregues na casa das clientes.

Na Bella Poá trabalham apenas as sócias e, por isso, não tiveram de pensar em dispensa de funcionários. Entretanto, elas pagam aluguel e o proprietário do imóvel não negociou o valor. Ou seja, terão de pagar o mesmo que pagariam com a loja aberta.

Amanda e Adriane já estão pensando no Dia das Mães. E não perderam a esperança de que haja flexibilização do Governo do Estado, apesar de o decreto estadual ser válido até 10 de maio. “Também acho que a Acimg e a Prefeitura poderiam adotar novas medidas, como entrada de um cliente por vez nas lojas ou conforme o tamanho do estabelecimento, uso de álcool gel e máscaras”, pontua comentando que mais de 30 dias fechados é um período longo demais para o setor.

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