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Sonhos adiados por conta do coronavírus

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A pandemia do novo coronavírus ganhou corpo e contamina cada vez mais brasileiros, situação que levou muita gente a rever os planos. Comemorações sociais previstas para acontecer nos próximos dois meses, como casamentos e aniversários, foram adiadas ou canceladas. Um verdadeiro balde de água fria nos sonhos de muitos casais que estavam prestes a realizar a festa de casamento de suas vidas.

Por conta disso, houve uma grande mudança na rotina de trabalho e planejamento de muitos cerimonialistas e fornecedores de serviços que atuam no mercado de eventos. Sem condições de viver o grande dia, o momento exige flexibilidade para escolher uma nova data e muita esperança de que tudo será recuperado, tanto os prejuízos financeiros vividos pelo setor quanto os prejuízos emocionais vividos pelos casais que ficaram sem alternativa diante do avanço da doença.

PLANEJAMENTO

Cerimonialista comenta prejuízos e transtornos

Assim como para todos nós, o avanço do Covid-19 no Brasil não estava nos planos do cerimonialista Tiago Silva que há cerca de 20 dias começou a viver dias turbulentos em sua vida profissional que passou a ter uma nova dinâmica para conseguir adiar os eventos de seus clientes que aconteceriam em março, abril e na primeira quinzena de maio. Ao todo, o cerimonialista adiou, até o momento, seis casamentos e duas festas de debutante, sendo que a maioria foi remanejada para acontecer em janeiro do ano que vem e alguns em novembro deste ano.

As mudanças vão render um prejuízo de R$ 20 mil ao cerimonialista. Isso porque, no mês de janeiro ele vai deixar de fechar novos contratos para atender os afetados pelo novo coronavírus. Silva explicou que o valor total que deixará de ser movimentado por conta dos adiamentos das festas é de aproximadamente R$ 375 mil. São os gastos com vestido de noiva, convites, salão, buffet, igreja e diversos outros serviços que compõem uma festa. “Trabalhamos com mais de 15 fornecedores diretos para um casamento, por exemplo, fora os indiretos”, completou o cerimonialista que avaliou que o mercado de eventos está em pânico. “Somos autônomos e com essa crise não é possível saber se vamos ter pagamento, por exemplo”.

Silva relatou que percebeu a gravidade da situação no último dia 13, quando foi conferir o checklist de um casamento que aconteceria no dia 21 para 450 convidados. O checklist envolve confirmar se itens como fotografia, buffet, decoração, equipe de vídeo, segurança e demais serviços contratados pelos noivos estão ok. “Nas ligações, os fornecedores começaram a me questionar se o evento não seria adiado porque um decreto estadual, já em andamento, proibia fazer aglomeração”, explicou. Além disso, festas realizadas com mais de 500 pessoas já deveriam ser canceladas, e contando com a equipe de staff esse número já seria ultrapassado na celebração daquela semana.

Silva compartilhou que viveu uma semana turbulenta. Ele entrou em contato com os noivos do dia 21 e os outros que casariam até o início do mês de maio para explicar a situação. “Foi uma semana horrível para mim e o único argumento que eu tinha era o decreto estadual e depois o municipal que também foi instituído”.

Apesar de tantos transtornos, não foi preciso cancelar o casamento de ninguém e o cerimonialista contou com a flexibilidade de seus clientes que também se viram em uma circunstância de insegurança e muitos questionamentos, como se os muitos fornecedores já quitados iriam de fato oferecer a mesma qualidade de serviço em uma nova data. “Neste momento que eu vejo a importância de um casal ter uma assessoria para realizar a festa de casamento de suas vidas, porque eu intermediei tudo. Entrei em contato e ainda estou em contato com os fornecedores ajustando todas as datas”, ressaltou.

Silva comentou que as noivas choraram e ficaram tristes, até porque muitas já tinham até entregue os convites para seus convidados. “Eu procurei acalmar, orientar e ouvir”. Ao mesmo tempo, Silva lembrou que o casamento é um momento em que todos os envolvidos, principalmente os noivos e suas famílias, querem viver com abraços e beijos. “Temos que entender que é um momento delicado que não foi causado por mim nem pelos noivos. Por isso, não convém cancelar e, sim, se ajustar”.

Apesar de tudo, o cerimonialista diz acreditar que dias melhores virão. “Temos que entender que somos todos iguais e que, agora, não podemos dar as mãos, mas temos que estar juntos nessa luta, acreditando que vai passar e que um sonho pode ser, sim, adiado ou pausado, mas jamais cancelado. O sonho não acaba e não morre”, finalizou.

NO MESMO BARCO

Após adiar eventos, decorador diz que novos planos já são feitos  

O decorador Nicholas Furlanetto vive uma situação bastante parecida com a do cerimonialista Tiago Silva. Ele também alterou a data da festa de casamento de cinco clientes que seriam realizados em março e abril. Além disso, ele estima que terá um prejuízo de cerca de R$ 10 mil para o período.

Furlanetto explicou que ele é um fornecedor que afeta outras empresas, porque ele vai deixar de alugar itens de mobília, decoração e insumos. Segundo ele, a maior preocupação de seus clientes envolve os valores das flores, que é um produto variável que muda de preço conforme a estação e a espécie, por exemplo. “Estou esclarecendo que devemos esperar chegar perto da nova data para só então sabermos se vai ter algum reajuste no valor das flores”.

Furnaletto disse que um casal que vai ter uma festa de porte médio para 250 pessoas costuma gastar R$ 2,5 mil apenas com as flores. Para se ter ideia dos reflexos negativos causados pela Codiv-19, cerca de 70% da produção de flores de março e abril foram descartadas em Holambra. “É uma tristeza você ver que toneladas de flores foram perdidas em um dos maiores mercados do ramo do país”, completou o decorador.

Ele torce para que toda essa crise passe logo. “Que essa pandemia vá embora e nos devolva a vida normal”.

FRUSTRAÇÃO

Noivos mudam data e entendem situação

 Com o casamento marcado para acontecer no dia 16 de maio, os noivos Victor Guilherme Sebastião, 26, e Carolina Helena de Souza, 25, já estavam contando os dias para o momento mais felizes de suas vidas. No entanto, o sonho de dizer sim um ao outro em grande estilo e na presença de familiares e amigos teve que ser adiado por conta do avanço do novo coronavírus.

Uma situação que o casal, que está junto há nove anos, jamais imaginou que viveria, ainda mais após um ano e meio de muito planejamento. De acordo com Victor Guilherme, não havia intenção alguma em mudar a data da celebração. No entanto, a crise vivida na saúde pública fez o casal mudar os planos. “Nosso cerimonialista Diego Ragazoni já havia nos alertado que isso poderia acontecer e, infelizmente, não conseguimos manter a nossa data”.

Circunstância essa vivida também por outros casais, que assim como Victor e Carol também tiveram que escolher uma nova data para se casarem. “Noivos de agora até o final de maio e até mesmo de junho também tiveram seus eventos atingidos pela pandemia”, completou Victor Guilherme que comentou o sentimento de frustação e tristeza. “A gente ficou muito triste e ao mesmo tempo muito preocupado porque não é simplesmente ir e fazer o casamento. Nós temos uma lista de 300 convidados, pessoas que amamos, e como iriamos garantir a segurança de todos em meio a uma pandemia?”, indagou o noivo.

Agora, o casal vive o principal transtorno que toda essa mudança gerou que é encontrar uma nova data para realizar a cerimônia e a festa. A princípio, o casamento deve acontecer em setembro. Porém, ainda não existe um dia definido porque é preciso encaixar a agenda de todos os fornecedores, o que, segundo o noivo, tem sido o maior desafio. “Nós planejamos tudo por um ano e meio, fechamos contratos com mais de oito empresas diferentes e agora temos que achar uma data assim no susto e que dê certo para todo mundo. É muito difícil. Tem nos dado muita dor de cabeça”, enfatizou.

Foto: Rafael Zeni

Victor e Carol ainda vão ter a missão de avisar todos os convidados sobre a alteração do casamento. “Como não é aconselhável a gente ir à casa das pessoas, vamos estar mandando um aviso virtual para os nossos convidados”.

Outro problema será remarcar a viagem de lua de mel, pois o casal já havia escolhido Maragogi, Alagoas. “A gente já recebeu informativos de que os voos estão sendo cancelados, então, vamos ter que mudar tudo isso também, mas vamos esperar até abril para ver o que iremos decidir”.  Victor e Carol lamentam tudo o que está acontecendo, mas compreendem que é por conta de uma força maior. “Ficaríamos muito mais tristes em colocar a vida dos nossos convidados em risco. Não tem como a gente negligenciar uma situação dessas”, finalizou o noivo.

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