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Suspeito é preso por morte de Ana Gabrielly e população se revolta

O corpo foi encontrado por populares, a 300 metros do condomínio, em um terreno baldio

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No início da noite dessa sexta-feira (21) a Polícia Civil de Conchal prendeu um suspeito pela morte da menina Ana Gabrielly, de 6 anos, encontrada morta na quinta-feira (20). O nome do suspeito não foi divulgado pela polícia por questão de segurança.

A notícia da prisão causou revolta nos moradores que foram para a frente da delegacia. Eles ameaçavam entrar no prédio. Reforço policial foi solicitado para as cidades vizinhas, como Mogi Guaçu e Mogi Mirim. Pelo apurado pela reportagem, o suspeito é morador no condomínio onde Ana Gabrielly sumiu na noite do último sábado (15). A casa dele chegou a ser incendiada pelos moradores.

A confusão espalhou-se pela cidade e o prédio da delegacia e da Prefeitura também foram alvos de populares, que atearam fogo nesses locais.

O caso

Ana Gabrielly dos Santos Ferreira foi enterrada por volta das 9 horas desta sexta-feira, no Cemitério Municipal de Conchal. Não houve tempo de velório, o corpo chegou do IML (Instituto Médico Legal) de Limeira e já foi sepultado.

corpo_criancaO corpo da menina foi encontrado dentro de um saco tipo bag, desses de ensacar laranjas. Ela estava desaparecida desde o último sábado e seu corpo já estava em estado de decomposição. No rosto, perto da boca, havia cravada uma faca de cabo de madeira. Outra faca pequena, de serra, estava junto ao corpo da menina, dentro saco. Ana Gabrielly estava enrolada em um cobertor.

Antes de sumir, ela foi vista pela última vez no apartamento da tia, no bairro Sol Nascente. A mãe de Ana Gabrielly foi participar de um churrasco da empresa onde trabalha e deixou a menina na casa da irmã. A garotinha iria dormir na casa da tia, na companhia da prima Júlia, de 10 anos.

O corpo foi encontrado por populares, a 300 metros do condomínio, em um terreno baldio por volta das 13h40. A crueldade com que a menina foi morta chocou a população de Conchal e região.

A guarda municipal foi acionada. O inspetor da ROMU (Ronda Ostensiva Municipal), Abrão da Costa, acredita que o corpo de Ana Gabrielly tenha sido jogado no local, naquela madrugada, uma vez que houve uma varredura em todos os últimos dias, inclusive com cães farejadores do Canil da Guarda. Toda equipe, inclusive guardas em folga, trabalhou todos os dias vasculhando canaviais e matas com apoio de seis cães. Mas sem sucesso. “Já atendi ocorrência de crimes hediondos na cidade, mas igual dessa menina é a primeira vez. Nunca vi tamanha barbaridade”, disse o inspetor.

Anna Gabrielly estava desaparecida
Ana Gabrielly foi brutalmente morta

Outros guardas comentaram que é estranho ninguém ter visto nada, uma vez que o local é um descampado com mata rasteira e dá visão para os apartamentos.

A perícia no corpo da garota precisou ser feita na Santa Casa, e não no local, devido à aglomeração dos curiosos. Ana Gabrielly estava com a mesma roupa do dia em que desapareceu e foi reconhecida por familiares. Depois, o corpo seguiu para o IML (Instituto Médico Legal) de Limeira.

Investigação

Além de Ana Gabrielly, a tia Rosângela Alves Ferreira cuidava do bebê de três meses de outra irmã. Quando esta irmã chegou, não entrou no condomínio e pediu para que levassem o bebê até onde estava estacionada. Rosângela disse que desceu com o bebê e deixou a filha e a sobrinha no apartamento. Mas como se esqueceu de levar a bolsa do bebê avisou à filha que descesse. “Então voltei para o apartamento com minha filha e percebemos que a Ana Gabrielly não estava. Ela deve ter ido atrás da minha filha. Foi uma questão de minutos”, lamentou a tia.

Após depoimento na tarde desta quinta-feira, na delegacia, Rosângela chorava muito e não queria apontar suspeitos. “Não posso falar nada. Agora, é orar para Deus para que a pessoa que fez isso deixe provas para que prendam esse desgraçado”.

O caminhoneiro Bruno César Aiolfi Araújo estava no apartamento no dia em que a menina sumiu. “Eu cheguei cansado do trabalho, comi bolo com as meninas e fui deitar. Só vi quando elas saíram correndo do apartamento e Ana Gabrielly foi atrás. Caí no sono e fui acordado quando a Rosângela (tia) me acordou chorando e dizendo que a menina havia desaparecido”.

Ele, assim como outros amigos e familiares bateram em todos os apartamentos naquela mesma noite. São sete blocos. Mas não entraram, apenas conversavam com os moradores na tentativa de achar a menina. Apenas em dois apartamentos, os proprietários não abriram as portas. A guarda municipal apareceu na madrugada do último domingo, no condomínio e também ajudou nas buscas.

O pai da menina, Sebastião Júnior, suspeita de que o autor ou autores do crime residam no condomínio onde a menina estava ou que resida naquele bairro. “Passei o último dia dos pais com ela e acreditava que ela estava viva. Pensava que alguém tinha achado ela e estava com medo de devolver, mas aparece uma pessoa e faz isso? É um monstro quem fez isso com uma criança e está solto”, esbravejou.

confusã_conchalChegou ao conhecimento de Júnior que o ex-namorado da mãe de Ana Gabrielly seria um dos suspeitos, uma vez que estava ameaçando a mãe da menina, caso não reatassem o relacionamento. “Comentaram isso, mas não posso dizer que é ele, mas é o primeiro suspeito”.

Segundo familiares de Suzana, mãe de Ana Gabrielly, o ex-namorado havia dito que ‘acabaria com a vida dela’ se não voltasse para ele. Suzana tem 22 anos, e além de Ana Gabrielly tem um menino de 4 anos que, segundo apurado, vive com o pai e avó paterna. Ana vivia com a mãe e a avó materna.

O delegado de Conchal, Daniel Pinho, disse que todas as pessoas que tiveram relação com a criança serão investigadas. “Por enquanto, não será descartada nenhuma pessoa”.

As investigações serão realizadas com apoio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Limeira.

O delegado não quis relacionar o requinte de crueldade com que a menina foi morta com as pessoas próximas à família. “Porque com isso eu estaria excluindo pessoas suspeitas”. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 181 da Polícia Civil.

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