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Turismo: Já pensou em ir para a Geórgia?

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Por Rafael Ávila e Isabela Miranda 

Antes de qualquer confusão não estou falando de um Estado dos Estados Unidos, mas, sim, de um país que pertenceu à União Soviética e hoje, além de livre, tem dentro de seu território duas regiões “de fato” independentes com reconhecimento internacional limitado, a Ossétia do Sul e a Abecásia. Ao Norte da Geórgia está a Rússia que apóia os separatistas e que protagonizou a guerra dos cinco dias, em 2008, quando os russos chegaram a ocupar a cidade de Gori, no Norte do país, onde nasceu o menos ilustre dos cidadãos georgianos, Stalin. Aliás, passamos por lá e visitamos o Museu Josef Stalin. Os outros vizinhos são o Mar Negro e os outros países da Cordilheira do Cáucaso, que passa dos 5 mil metros de altitude, Armênia e Azerbaijão e também a Turquia de onde viemos.

Bom, nunca tínhamos planejado a Geórgia como um destino específico. Tratava-se mais de um lugar que passaríamos e a falta de expectativas deixou a surpresa falar mais alto. Fomos diretamente para Svaneti, uma região montanhosa na divisa com a Abecásia e onde estão os picos mais altos do país. A cidadezinha de Mestia, além de rodeada de muita natureza é cravejada de torres de pedra para defesa que foram construídas há mais de mil anos.

georgia-1 Apaixonamos-nos pela Geórgia por conta do povo local. Saímos para uma caminhada no fim da tarde e quando já pensávamos em voltar vimos uma festa e ficamos olhando curiosos. Logo nos convidaram, obviamente aceitamos e participamos de um banquete que parecia saído de um filme medieval. Cerca de 200 pessoas em mesas de madeira comiam, bebiam e brindavam com vinho que vinha em baldes de 20 litros. Receberam-nos de braços abertos, falavam alto, riam e pareciam saudosos. Já no fim, após muitos vinhos, fomos descobrir que não era uma festa e, sim, uma celebração dos 40 dias de morte de um ente querido, uma espécie de fim de luto. Memorável!

Quando voltamos para a hospedaria, cujo quintal usamos de acampamento, conhecemos o Simon e a Alex, que se tornaram grandes amigos e com quem subimos uma das montanhas que rodeiam Mestia, até a cruz, muito importante para esse povo extremamente cristão. Ainda era fim de inverno e caminhamos com neve nos joelhos, ainda bem que nossos amigos suíços têm experiência nisso. O visual lá de cima é de 360 graus de montanhas, inesquecível. Para baixo todo santo ajuda e descemos escorregando para chegarmos molhados na Nico Guesthouse.

Depois de uma passagem pelo centro do país e pela capital Tbilisi, encontramos novamente Simon e a Alex e fomos novamente para os cáucasos, dessa vez, emKazbegi nos arredores de Stepantsminda. Além de novas montanhas impressionantes, inclusive uns com um monastério estrategicamente localizado no topo vimos algo completamente novo, uma cachoeira congelada que nos fez, mais uma vez, o frio do inverno valer a pena.

Da natureza falei bastante, mas a grande cereja no bolo da Geórgia é o povo. Além de muito hospitaleiro e simpático costumam nos receber sempre com uma comida deliciosa e vinho, inclusive no café da manhã. Nada muito puxado, uma jarrinha de um litro de vinho caseiro para começar o dia e uns shots da cachaça de uva que eles chamam de “chacha”. As mesas sempre fartas com os pratos de comida um sobre o outro e os brindes precedidos de longos discursos e “gaumarjos”, saúde!

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