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Veganismo: Vida saudável e proteção aos animais

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Uma pessoa que busca ser vegana não está apenas interessada em se alimentar bem e beneficiar sua saúde com uma dieta baseada em vegetais e livre de todos os alimentos de origem animal, como carne, laticínios, ovos e mel. Ela também encontra no veganismo uma forma de proteger os animais, evitando o seu sofrimento.

A indústria de outros produtos fora do mercado da alimentação também têm formas de explorar os animais, como em testes de produtos de beleza, por exemplo. Por essa razão, uma pessoa vegana ainda passa a ser seletivo em seu consumo de vestuário e produtos de higiene e beleza. Dentro desta realidade de quem busca uma vida mais saudável para si e para os animais, o veganismo tem crescido cada vez mais entre os brasileiros.

Porém, ainda não existem pesquisas que indiquem o número de pessoas veganas no Brasil, mas uma pesquisa feita pelo IBOPE em 2008 mostra que cerca de 8% da população é vegetariana, ou seja, não consome carne, porém ingerem ovos e laticínios. Já nos Estados Unidos, um recente artigo publicado na Food Revolution aponta um aumento de 600% de veganos nos últimos três anos.

E com o crescimento surgem as dúvidas, principalmente no que diz respeito às restrições alimentares. Por isso, a Gazeta falou com uma nutricionista que esclareceu os principais pontos do veganismo.

EM PROL DOS ANIMAIS

Para estudante, veganismo é uma filosofia de vida

A estudante Isabele Maria Silva, 19, se tornou vegana aos 15 anos. Porém, ela iniciou suas restrições aos 12 anos, quando entrou para a categoria ovo-lacto-vegetarianismo que consiste em evitar o consumo de carne vermelha, peixe e frango, mas ainda permite a ingestão de laticínios e outros produtos animais como a de ovos, por exemplo. A influência de Isabele veio da irmã mais velha que é vegetariana e mostrou a realidade dos abatedouros. “Isso fez com que eu repensasse meus hábitos”.

A transição para o veganismo ocorreu, de fato, depois de ver um vídeo que relatava a realidade dentro das indústrias de laticínios e de ovos. Para a jovem, a decisão de se tornar vegana fez a vida ganhar um novo sentido. Isso porque, ela não mudou apenas a maneira de se alimentar e consumir outros produtos, mas também a maneira de ver os animais e o meio ambiente que, segundo ela, está sendo destruído, principalmente pela indústria de carne. “Tomei consciência de que a mudança precisa começar por mim e pelo meu prato, sendo que a essencial mudança foi na vida dos animais que pararam de morrer e sofrer para me satisfazer”.

A estudante confidenciou que no início sentia muita falta dos derivados de leite. “Mas hoje em dia é tudo muito substituível, conseguimos reproduzir com facilidade inúmeros pratos sem crueldade”. Com relação à saúde, Isabele explicou que pouca coisa mudou. Ela avalia as proteínas como sendo um grande tabu. “A realidade é que as encontramos em diversos alimentos, como, por exemplo, todos os tipos de feijão, soja, ervilha, lentilha, em saladas com a folhagem verde escura, entre outros”. Atualmente, a estudante realiza exames de seis em seis meses para saber se não está tendo a falta de algum nutriente. “Mas isso é algo que todos deveriam se preocupar, sendo vegano ou não”, enfatizou.

Produtos de higiene pessoal, maquiagem veganos e produtos de limpeza também passaram por uma seleção. Isabele procura por produtos que não utilizam couro e não consume marcas que realizam testes em animais. “Veganismo não é só um hábito alimentar, é uma filosofia de vida”, afirmou.

A estudante pontuou que a exploração animal está presente em quase tudo. Por isso, ela avalia que é difícil ser 100% vegano. Na alimentação existe mais facilidade, já que verduras, legumes e grãos são facilmente encontrados nos mercados e feiras. Outros produtos, como os de beleza, foram um desafio. “Antigamente era bem difícil encontrar, mas como aumentou a quantidade de vegetarianos e veganos acabamos achando em diversos lugares e lojas online”. Vale lembrar que apesar do crescimento, os produtos veganos ainda acabam saindo um pouco mais caro do que os convencionais.

 

HÁBITO

Sem restrições, veganismo exige disciplina

A nutricionista Grazielle Madureira confirmou que o número de pessoas adeptas ao veganismo está realmente cada vez maior. “Tenho atendido muitos pacientes em transição ou que desejam reduzir o consumo de carne”. Aliás, a procura por um profissional da área é o primeiro passo que uma pessoa cheia de dúvidas deve fazer. Isso porque, apesar de não ter restrições, o veganismo gera algumas preocupações com relação à saúde, o que é muito comum.  “Os pacientes querem saber se a alimentação vegana tem nutrientes suficientes para não baixar a imunidade, por exemplo,”.

Em cima disso, a nutricionista garante que o veganismo, assim como o vegetarianismo, são considerados seguros. “Qualquer pessoa pode aderir, incluindo crianças, segundo o Ministério da Saúde”. Grazielle esclareceu que o fato de excluir as carnes e demais produtos derivados dos animais da dieta não isenta uma pessoa vegana de ter disciplina e consciência. “Pode parecer estranho, mas existem veganos que não são saudáveis porque passam a exagerar no consumo de frituras, massas e doces cheios de açúcar”.

Com isso, o correto é sempre preferir os alimentos naturais como sementes, verduras, legumes, grãos, oleaginosas e cereais. “Assim a pessoa vai consumir nutrientes, fibras, vitaminas e minerais”, completou Grazielle que também explicou que a exclusão dos alimentos de origem animal diminui, por exemplo, a ingestão de gorduras saturadas que não fazem bem para a saúde que precisa receber os mesmos cuidados que os não veganos, como fazer exames de rotina, alimentar-se bem e praticar atividades físicas. “Não há nenhum cuidado super especial com a saúde dos veganos, mas é preciso ter disciplina”, enfatizou.

E para você que ainda está em dúvida se é realmente possível ser vegano e se alimentar bem, a nutricionista passou uma receita fácil de fazer e muito saborosa.

 

Strogonoff de grão de bico:

Ingredientes

1 xícara de chá de grão de bico cozido

1/2 xícara de molho de tomate

2 colheres de sopa de aveia em flocos

1 xícara de chá de água

1 dente de alho

sal a gosto

1 colher de sopa de azeite de oliva

 Modo de preparo:

Coloque a aveia para hidratar dentro da xícara com água por uns 15 minutos. Em seguida bata a aveia hidratada junto com a água no liquidificador por 1 minuto. Coe e reserve (esse será o “creme de leite” da receita). Refogue o alho no azeite, acrescente o grão de bico cozido, misture bem ao alho, coloque o molho de tomate e sal. Por último coloque o “leite de aveia” e continue mexendo até engrossar e pronto! Sirva com arroz e batata palha.

 

 

 

 

 

 

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